'VIMUS O QUE NINHUM SER HUMANO JAMAIS VIU': O ASSOMBRO DOS ASTRONAUTAS D ARTEMIS 2 APÓS SOBREVOAR O LADO ESCURO DA LUA - ASTRONAUTAS DA ATRTEMIS 2 BATEM RECORDE DE DISTÂNCIA DA TERRA E OBSERVAM ECLIPSE SOLAR TOTAL

'Vimos o que nenhum humano jamais viu': o assombro dos astronautas da Artemis 2 após sobrevoar o lado escuro da Lua
Daniel Gallas- Com informações da BBC News
- Tempo de leitura: 6 min
Os astronautas da Artemis 2 estão a caminho da Terra após realizarem um sobrevoo histórico da Lua e testemunharem um eclipse solar total a partir de sua espaçonave.
Por volta das 15h de segunda-feira (6/4) no horário de Brasília, a tripulação da Artemis 2 bateu o recorde de maior distância já percorrida por humanos a partir da Terra — o recorde anterior de 400.171 km da Terra foi estabelecido pela tripulação da Apollo 13 em 1970.
O Artemis 2 bateu o recorde em cerca de 6,6 mil km, atingindo uma distância máxima de 406.771 quilômetros. A espaçonave Orion passou por trás da Lua, perdendo temporariamente contato com a Nasa na Terra. Essa interrupção era esperada e durou cerca de 40 minutos.
"Houston, Integrity, teste de comunicação", foram as primeiras palavras da especialista da missão, a astronauta Christina Koch, quando o contato foi restabelecido, que também disse que era "tão bom ouvir a Terra novamente".
Em seguida, a tripulação fez uma pequena pausa antes de observar o eclipse solar total, que durou cerca de uma hora. Os astronautas passaram esse tempo tirando fotos e contando à equipe científica em Houston o que podiam ver.
Enquanto os quatro astronautas começavam o processo de envio de todos os dados das últimas sete horas de observação para a Terra, eles também receberam uma ligação do presidente dos EUA, Donald Trump.
"Vimos coisas que nenhum ser humano jamais viu, nem mesmo a Apollo, e isso foi incrível para nós", disse o comandante da missão Reid Wiseman, em conversa com Trump.
Trump havia perguntado à tripulação: "Qual foi a parte mais inesquecível deste dia verdadeiramente histórico?"
Wiseman disse que todos os quatro tripulantes comentaram sobre o quão "animados estamos para ver esta nação e este planeta se tornarem uma espécie com dois planetas", em referência aos objetivos de futuras missões a Marte.
Antes disso, em conversas com a base da missão na Terra, o piloto da Artemis 2, Victor Glover, disse que o que os quatro astronautas viram era "verdadeiramente difícil de descrever".
"Sei que esta observação não terá nenhum valor científico, mas estou muito feliz por termos lançado em 1º de abril, porque os humanos provavelmente não evoluíram para ver o que estamos vendo", disse ele.
Victor Glover descreveu o eclipse como algo "surreal".
"O Sol já se pôs atrás da Lua e a coroa solar ainda está visível, brilhante e criando um halo que circunda quase toda a Lua. Mas quando você chega ao lado da Terra, o que se vê é o brilho da Terra."
"Quase segundos depois do Sol se pôr atrás da Lua, você já podia ver o brilho da Terra. A Terra está tão brilhante lá fora e a Lua está ali, bem na nossa frente."
"Você ainda consegue ver o horizonte mais brilhante... onde o Sol se pôs daquele lado da Lua. E o brilho da Terra é muito nítido e cria uma ilusão visual impressionante."
"É incrível."

Sobre a experiência, o comandante Wiseman afirmou: "É simplesmente indescritível".
"Não importa quanto tempo olhemos para isso, nossos cérebros não conseguem processar esta imagem à nossa frente. É absolutamente espetacular, surreal... não há adjetivos, vou precisar inventar alguns novos, não há absolutamente nenhuma palavra para descrever o que estamos vendo por esta janela."
Quando Glover descreveu algo que ele disse ser laranja, a tripulação em terra afirmou que o objeto provavelmente era Marte.
"Boa oportunidade para olhar para o futuro, para onde estamos indo", disse o controle da missão na Terra.
A tripulação brincou dizendo que queria acrescentar 20 novos superlativos ao resumo da missão, para ajudar nas descrições.

Houve um momento emocionante a bordo da cápsula, quando os astronautas conversaram sobre propostas de nomes para crateras na Lua.
Uma das crateras deveria se chamar Integrity, em homenagem à espaçonave Orion, segundo a tripulação, enquanto outra deveria ser nomeada em homenagem à esposa do astronauta Reid Wiseman, Carroll, que morreu de câncer em 2020.
As propostas de nomes precisarão ser formalmente submetidas à União Astronômica Internacional, que regulamenta a nomenclatura de formações espaciais.
Agora os astronautas seguem de volta para a Terra. Eles devem pousar no Oceano Pacífico às 21h07 de sexta-feira (10/4) no horário Brasília. Ao final da missão, eles terão percorrido mais de 1.118.494 km.

Por que a Artemis 2 perdeu conexão por 40 minutos
Quando os astronautas passaram atrás da Lua, por volta das 19h47 no horário de Brasília de segunda-feira (06/04), os sinais de rádio e laser que permitem a comunicação nas duas direções entre a nave e a Terra foram bloqueados pela própria Lua.
Por cerca de 40 minutos, os quatro astronautas — Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen — ficaram sozinhos, cada um com seus próprios pensamentos e sentimentos, viajando pela escuridão do espaço. Um momento profundo de solidão e silêncio.
Isso acontece porque a Lua bloqueia os sinais de rádio entre a Rede de Espaço Profundo, conhecida pela sigla em inglês DSN, e a espaçonave.
Há mais de 50 anos, os astronautas do programa Apollo também experimentaram o isolamento provocado pela perda de sinal durante suas missões à Lua.
Talvez ninguém mais do que Michael Collins, da Apollo 11.
Em 1969, enquanto Neil Armstrong e Buzz Aldrin faziam história ao dar os primeiros passos na superfície lunar, Collins estava sozinho no módulo de comando, orbitando a Lua.
Quando a sua nave passou pelo lado oculto da Lua, o contato com os dois astronautas na superfície lunar, assim como com o centro de controle da missão, foi perdido por 48 minutos.
Ele descreveu a experiência em seu livro de memórias O Fogo Sagrado - A Jornada de um Astronauta, publicado em 1974, dizendo que se sentiu "realmente sozinho" e "isolado de qualquer forma de vida conhecida", mas que não sentiu medo nem solidão.
Em entrevistas posteriores, ele descreveu a paz e a tranquilidade proporcionadas pelo silêncio do rádio, afirmando que aquilo oferecia uma pausa nos constantes pedidos do controle da missão.
Fonte:https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4g8pd82pneo
Astronautas da Artemis 2 batem recorde de distância da Terra e observam eclipse solar total: o que mais aconteceu nesta segunda

A tripulação da Artemis 2 quebrou nesta segunda-feira (6/4) o recorde de maior distância da Terra percorrida por humanos.
O recorde anterior pertencia à tripulação da Apollo 13, que, em 1970, viajou 248.655 milhas da Terra.
"Ultrapassamos a maior distância já percorrida por humanos a partir do planeta Terra. Fazemos isso em homenagem aos esforços e feitos extraordinários de nossos antecessores na exploração espacial humana", afirmou um dos astronautas.
"Continuaremos nossa jornada ainda mais longe no espaço, antes que a Mãe Terra consiga nos trazer de volta a tudo o que nos é caro."
Ele também desafiou esta geração e a próxima "a garantir que este recorde não dure muito tempo".
No sábado (4/4), Agência Espacial Americana (Nasa) compartilhou uma nova leva de imagens feitas pela tripulação da , enquanto a espaçonave Orion segue em viagem até a Lua.
As novas fotografias mostravam os astronautas Christina Koch e Reid Wiseman observando a Terra. A primeira leva de imagens, divulgada na sexta-feira, era centrada no planeta.
A tripulação — composta pelos astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da Nasa, e por Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense — seguiu então para a órbita da Lua.

Os principais marcos da missão até agora
A missão, com duração prevista de dez dias, encerra um intervalo de 54 anos desde a última vez em que seres humanos orbitaram a Lua.
Esses são os outros momentos-chave desta missão:
1º de abril: O foguete Artemis 2 foi lançado ao espaço às 18h35 EDT (19h35 de Brasília) no Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, na Flórida.
2 de abril: Em uma conversa por videoconferência, a astronauta Christina Koch mencionou um pequeno problema de "preparação" com o vaso sanitário, e a NASA anunciou no sábado que um duto de ventilação de águas residuais havia entupido. O administrador da NASA, Jared Isaacman, disse à CNN que dominar essa capacidade é algo em que "certamente precisamos trabalhar".
3 de abril: A NASA compartilhou as primeiras imagens de alta resolução da Terra, tiradas pela tripulação da Artemis II, quando eles passaram pelo ponto intermediário entre a Terra e a Lua.
6 de abril: A NASA disse que a Artemis entrou na esfera de influência lunar às 00h38 EDT (1h38 de Brasília) — o ponto em que a força gravitacional da Lua se torna mais forte do que a da Terra.
Em seguida, quebrou o recorde de maior distância percorrida por humanos a partir da Terra. Ainda nesta segunda, os quatro astronautas ficaram isolados por cerca de 40 minutos, pois a Lua bloqueou a comunicação entre a espaçonave e a Terra.
A tripulação da Artemis 2 depois observou um eclipse solar, com duração de 35 minutos. A Orion ficou posicionada no local exato para que a Lua bloqueasse a visão do Sol para a tripulação, revelando a tênue atmosfera externa da estrela – a coroa – como um halo brilhante ao redor de um disco lunar escurecido.
Câmeras foram instaladas nas janelas para capturar as etapas do evento.
Como a tripulação se preparou para visitar a Lua
A tripulação acordou ao som de Pink Pony Club, da cantora Chappell Roan, no sábado. A espaçonave estava a aproximadamente 272 mil quilômetros de distância da Terra e a 178 mil quilômetros da Lua.
À noite, os astronautas concluíram uma demonstração de pilotagem manual e revisaram o plano de sobrevoo lunar, encerrando o quarto dia da missão e o terceiro dia completo no espaço.
Koch e Hansen se revezaram no controle da Orion para testar seu desempenho no espaço profundo, a partir das 22h09 (horário de Brasília). Durante 41 minutos, a dupla testou dois modos de propulsão, fornecendo aos engenheiros da Nasa mais dados sobre as capacidades de pilotagem.
O comandante Reid Wiseman e o piloto Victor Glover devem repetir a demonstração no oitavo dia de voo (quarta-feira, 9 de abril), para ampliar a coleta de informações sobre a espaçonave.
Os astronautas também revisaram uma lista de características da superfície lunar que deverão registrar e analisar, a pedido de cientistas da Nasa, durante o sobrevoo de seis horas na segunda-feira.

O batismo de crateras
O comandante da Artemis 2, Reid Wiseman, disse à repórter da Nasa, Kelsey Young, que a tripulação gostaria de nomear algumas crateras na Lua que eles conseguem ver atualmente "tanto a olho nu, quanto com nossa lente teleobjetiva".
Ele pediu à Nasa que nomeasse uma delas em homenagem à sua falecida esposa, Carroll, que morreu de câncer em 2020.
Eles batizaram outra cratera de Integrity - em homenagem à espaçonave Orion que os levou ao lado oculto da Lua.
"Há alguns anos, começamos esta jornada... e perdemos um ente querido, e há uma formação em um lugar realmente interessante na Lua... em certos momentos do trânsito da Lua ao redor da Terra, poderemos vê-la da Terra", disse ele.
O comandante da missão Apollo 13, Jim Lovell, também nomeou uma cratera em homenagem à sua falecida esposa durante a missão de 1970, na qual foi estabelecido o recorde anterior de distância percorrida a partir da Terra.

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Astronautas veem eclipse do espaço
Ao fim do sobrevoo na órbita da Lua, os astronautas observaram um eclipse solar do espaço, quando a espaçonave Orion, a Lua e o Sol se alinharam. Eles viram o Sol desaparecer atrás da Lua por cerca de 35 minutos.
Durante esse período, a Lua esteve quase toda escura, permitindo a análise da coroa solar — a camada mais externa da atmosfera do Sol, que só se torna visível quando a Lua bloqueia a luz solar, formando um halo ao redor do Sol.
O astronauta da Nasa Victor Glover descreveu o que viu durante o eclipse solar como "ficção científica" e "surreal". Ele também relatou sua visão da coroa solar.
"O Sol se pôs atrás da Lua e a coroa solar ainda está visível, brilhante, criando um halo que circunda quase toda a Lua. Mas, do lado da Terra, o brilho da Terra já está visível", descreveu Glover.
"A Terra está tão brilhante lá fora e a Lua está praticamente parada à nossa frente."
"Essa esfera negra à nossa frente agora, não a escuridão total, mas o cinza que se mistura e se funde com a escuridão. Podemos ver estrelas e planetas atrás dela."
"É uma visão impressionante."
As missões paralelas da Artemis 2
A missão Artemis 2 também prevê atividades voltadas a entender como os sistemas da espaçonave e da tripulação, além de amostras biológicas, respondem ao ambiente do espaço profundo.
Um experimento científico levado na Orion, chamado Avatar, transporta células de medula óssea derivadas de amostras de sangue da tripulação e ajudará pesquisadores a estudar a resposta do sistema imunológico humano ao espaço.
A análise de biomarcadores imunológicos deve fornecer mais informações, e a tripulação ainda tem previsão de coletar amostras de saliva.
Além disso, a Agência Espacial Alemã (DLR) forneceu à Nasa sensores de radiação M-42, instalados na Orion. Esses dispositivos ajudam a caracterizar os níveis de radiação aos quais a espaçonave estará sujeita.
Por fim, os astronautas utilizam dispositivos de actigrafia — sensores semelhantes a relógios que coletam dados de saúde — e respondem a questionários periódicos sobre as condições a bordo.
Essas medidas devem ajudar a Nasa a aprimorar a eficiência da tripulação em missões futuras.
As imagens espetaculares da Terra
Reveja, abaixo, a primeira leva de imagens do planeta Terra feitas pelos astronautas da missão Artemis 2, divulgadas pela Nasa na sexta-feira.





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